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Dia 30/04/2010 - 8º Dia - SHARM EL SHEIKH - THISTLEGORM

8º dia
30 de Abril de 20010
SHARM EL SHEIKH – MAR VERMELHO – GOLFO DO CANAL DE SUEZ
LOCAL: NAUFRÁGIO THISTLEGORM E RAZ GHOZLANI

                        Hoje tivemos que levantar às 5 da manhã para pegar o barco, pois teríamos que navegar por 5 horas pelo Mar Vermelho até chegar ao Golfo do Canal de Suez, onde está o Naufrágio Thistlegorm. Dormimos no barco, tomamos café da manhã, dormimos de novo e caímos na água.
                      Em outubro de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Thistlegorm, um navio Inglês, fazia parte de uma operação destinada a manter o fornecimento de materiais para as forças britânicas no Egito. Dois aviões alemães, fortemente armados, localizaram o grupo de navios ingleses e bombardearam o Thistlegorm.
                      O maior navio, o Thistlegorm, foi imediatamente atacado. O ataque foi à noite e de surpresa, lançaram duas bombas e pelo menos uma acertou a lateral do navio, causando um enorme buraco no casco, seguido de incêndio e explosão. O motor do navio explodiu e, em seguida, a maior parte da munição que estava nos porões, também foi pelos ares. Dos 39 homens a bordo, 9 não conseguiram escapar com vida.
 
                         desenho naufragio
                         Desenho do naufrágio 

                        O naufrágio foi descoberto em meados de 1960, por Jacques Cousteau, que fez um documentário sobre o naufrágio, no entanto, não revelou onde se encontrava o navio.
Em 1992 o Thistlegorm foi redescoberto por um capitão israelense. E a partir daí, se tornou um dos naufrágios mais famosos do mundo.
                      A carga do Thistlegorm continha locomotivas com vagões, munição, tanque de guerra, caminhões, motocicletas, partes de aviões, medicamentos, botas de borracha, e muitas peças possivelmente de reposição.
                       No rombo causado pela explosão que causou o naufrágio, encontra-se o tanque de guerra, uma locomotiva, muitos destroços de caminhões, centenas de caixas de munições que não explodiram, mas que ficaram espalhadas.

                         tanque de guerra
                        Tanque de Guerra.

                        locomotiva
                       
Locomotiva

                        
destroços
                   Destroços de caminhões.

                        munições
                       
Muitas caixas de munições espalhadas                    

                        caixas de munição

                         bala de canão
                        
Centenas de balas de canhão.

                        Guincho da Âncora
                        Destroços de caminhões, caldeiras, trilhos de trem e muitas peças.

                       Logo depois que visitamos a parte externa bombardeada do naufrágio, e estávamos nos dirigindo até a popa do navio aconteceu um pequeno acidente com um mergulhador Inglês.  Éramos os últimos da turma, eu (Toco), Ita, Jacir, o Inglês e um outro mergulhador que não me recordo a nacionalidade. Nossa guia estava bem à frente e não percebeu a situação.
                       O Inglês estava um pouco acima de mim, nem certo momento vi passar na minha frente a uns 2 metros, um objeto descendo rapidamente, que logo identifiquei, era o lastro de um mergulhador (lastro é um conjunto de peças de chumbo que ajudam o mergulhador a afundar, sem ele é praticamente impossível ficar lá embaixo devido à flutuabilidade do equipamento).

                        colocando o lastro
                       Segurando o Inglês para não subir.

                      Estávamos a 30 m de profundidade, e sem o lastro o mergulhador pode subir rapidamente o que pode causar sérios danos a sua saúde e ainda a sua morte, por problemas relacionados à pressão.
                      Imediatamente me preocupei, pois o lastro poderia ser do meu mano Ita ou do nosso amigo Jacir.  Os procurei e logo vi o Jacir pegando na nadadeira do Inglês, que estava se batendo apavorado e já subindo.
Ajudei-o a segurar o mergulhador para que não subisse mais, enquanto isso, o mano Ita foi até o fundo do Mar, a uns 35 m buscar o lastro.

                        ita pegando o lastro
                        Ita pegando o Lastro.

                      
Depois de algum esforço e muitos bares de pressão perdidos devido à agitação, o Inglês estava novamente com o lastro na cintura e continuamos nosso mergulho.  Nesse momento uma das guias apareceu para nos buscar, e só ficaram sabendo do acontecimento quando voltamos ao barco.

                        colocando o lastro    
                      
Colocando o lastro no Inglês.

                        Guincho da âncora
                       Guincho da âncora.

                       A popa está a 30m de profundidade. Nela se localizam três peças interessantes do naufrágio, a hélice com o leme, uma metralhadora antiaérea de 40 mm e um canhão de 100 mm. Devido ao incidente, tivemos que cortar caminho para encontrar nossa guia e não conseguimos ir até à popa. 
                       Uma pena. Pois nossa guia havia nos falado que pelo fato desse naufrágio ter tido vítimas, 9 mortes, sempre se faz um ritual durante o mergulho em sinal de respeito aos mortos.  Tem um lugar da hélice do navio que todos passam a mão quando mergulham no Thistlegorm, e segundo ela essa parte fica sempre limpa de tanta gente que passa por ali.
                     Segundo nos informaram, o naufrágio do Thistlegorm gera mais divisas para o Egito que as famosas pirâmides, pois é visitado diariamente por aproximadamente 20 barcos.

                        peixe palhaço
                       
Olhas os Nemos aí passeando no convés !!!  Peixe palhaço.

                        São necessários, pelo menos dois mergulhos para conhecer todo o exterior e a melhor parte do interior do naufrágio.  Depois esperar na superfície em torno de 2 horas ( tempo obrigatório entre os mergulhos para que o organismo se reabilite), descemos novamente ao mar para agora conhecer a parte interna no Thistlegorm.
                      Encontramos muitos caminhões de vários modelos, muitas motocicletas, Jeeps, caminhões carregados de botas de borracha, fomos até à cabine do capitão e passamos pelas várias divisões do porão no navio. Um passeio fantástico em que é impossível não se imaginar naquela época, olhar para aqueles veículos, motos, e saber que ali, há 70 anos atrás, havia vida naquele porão e que era algo real, e que ali estava para nossa apreciação. Simplesmente maravilhoso. 
                       Fotos parte interna do naufrágio.

                        motos
                        Motocicletas BSA W-M20 e Norton

                         caminhao
                        
Caminhões Ford

                        caminhao
                       
Caminhões Bedford

                         botas
                       
Carroceria do caminhão cheia de botas de borracha

                         pia do capitão
                         
Pia da cabine do Capitão.
 
                     
Para quem quiser ver um vídeo sobre o descobrimento do Thistlegorm:



                       Depois de conhecer as maravilhas do Thistlegorm navegamos mais umas horas e paramos para fazer nosso 3º mergulho, num local Chamado Raz Ghozlani. Mergulho de correnteza, em que pulamos do barco, e o mesmo sai do local para não bater nos recifes, quando voltamos à superfície temos que sinalizar para que o barco venha nos buscar.

                       marinheiro

                     Nossos amigos marinheiros Árabes, sempre muito prestativos e animados, umas figuraças.  Comunicação com eles só na mímica e intuição, pois só falavam Árabe.

                        corais
                        Corais

                        corais mesa
                        Corais mesa.

                        recife
                        Recifes quase na superficie.

                       
Enquanto eu esperava o barco, me distrai e a correnteza me levou para cima dos recifes, bati a nadadeira num deles e ela caiu. Como estava um pouco perigoso, abandonei a nadadeira e fui em direção ao barco que já me esperava.
                      Por sorte, logo depois um guia que estava passando pelo local encontrou a nadadeira e trouxe para o barco. Ufaaaa!!!! Economizei uns Euros.

Finish.

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